domingo, 6 de março de 2011

Diário de uma Balzaquiana

    Desde criança sempre tive mais afinidade com os meninos que com meninas. Preferia a objetividade, força, lealdade deles às das meninas. Talvez haja uma explicação para isso, estudava em um colégio particular onde a maioria das meninas pareciam saídas de comerciais globais, bem vestidas, vaidosas e bonitas; eu não me encaixava em nenhum desses quesitos, me tornando " a amiga" dos meninos e a excluídas do grupo de meninas populares, bem ao estilo filminho americano.
     Fui crescendo e não mudou mito a situação, mesmo tendo ido estudar numa escola estadual. Já perceberam que o grupo de garotas populares que escraxam as menos favorecidas de beleza e dinheiro estão em todos os lugares?E lá estava eu, a melhor das amigas dos garotos: confidente, companheira, quase um "cara" da turma.
     Sendo um dos "caras", participava de suas conversas, ouvia detalhes, emitia opiniões. Não era poupada nem dos mais sutis comentários como: -" pô, tive que comer, apesar de ser raimunda (feia de cara e boa de bunda), me deu mole, tava na fissura"...
O que as vezes me incomodava, hoje me ajuda a encarar qualquer situação, decifrar códigos masculinos e a me defender das artimanhas da maioria. A patinha feia, desajeitada, baixa auto estima deu lugar à mulher decidida, bem resolvida, e muito, muito bem formada pelos amigos.
Não posso defender as amigas, nem posso dar à elas fórmulas perfeitas de ataque e defesa aos homens, já que à cada uma foi dado o livre arbítrio, mas escolhi algumas dicas que os "caras" me deram. Já me ajudaram muito, espero que alguma delas ajude alguém.


Rolou, ele ligou uma vez e sumiu? Delete, sáia mais com amigos, niguem merece homem com crise de identidade ou indeciso.
A ligação do dia seguinte: Só passe o nº do seu telefone se ele pedir. Dê preferência ao msn. Se não ligar, é porque não esta afim, não insista, a fila anda
Saiu, ficou, ele não ligou mais?Rolou sexo? Você não quis transar no primeiro encontro? Isso não faz diferença. Se ele não ligou é porque não está afim de você. Se vocês transaram e o sexo foi bom, porque se arrepender?
Fazer cena, fingir ser quem não é, tipinho? Por favor, isso só convence aos 15, talvez aos 20, mas para a maioria, é ridículo e não é arma de sedução pra niguem.
Homem indeciso, casado, noivo, crise de identidade? Esses se caracterizam por ligar pouco, dar desculpas esfarrapadas, não te compromisso, não sair com você para lugares conhecidos ou te apresentar à amigos ou parentes. CÁIA FORA. Ele nunca a assumirá como namorada, não quer compromisso e só usa você como pneu estepe.
Festa de axé, boate? Melhor não estigmatizar, mas raramente irá encontrar alguem que queira namorar ´serio em um lugar assim. Pode acontecer, mas é muito difícil.
Se alguém quer ficar com você, irá demonstrar, se importar com você. Não seja tão dura, não seja tão mole. No mundo da conquista vale também a lei da oferta e da procura. Sinta-se como o produto mais caro da loja, mas tenha humildade


A mulher precisa se amar, amando irá se valorizar, se valorizando, saberá a diferença entre ficar com alguem porque se identificam ou ficar por carência ou falta de opção. Estar sozinha não é tão ruim, sair com amigas também não. Mas acima de tudo aprenda a gostar da sua própria companhia, as outras pessoas se encantarão pelo que você é.

Diário de uma Balzaquiana

         



     A origem vem por conta do romancista francês Honoré de Balzac do século XIX, mais específicamente por sua obra A Mulher de 30 Anos.
      Consta que embora esta tenha sido uma de suas obras mais famosas também foi considerada confusa, contraditória e de uma narrativa aquém à verdadeira essência do autor. Foi o primeiro livro que fez referências à mulher madura com todos os seus anseios e limitações de uma época bastante conservadora."...uma mulher de trinta anos tem atrativos irresistíveis para um rapaz... A mulher de trinta anos pode se fazer jovem, desempenhar todos os papéis, ser pudica e até embelezar-se com a desgraça".

      Estou chegando aos 30, por mais difícil que seja aceitar isso com naturalidade, é fato que daqui há 3 meses eu serei uma Balzaquiana. 
       Para àquelas que ja completaram ou vão completar 30 anos, entendem bem o que estou passando, ou você já está casada, com filhos e carreira estabelecida, ou é assumidamente uma solteira (ou não assumida) ou está entre o noiva e amasiada, o que virou moda depois dos anos 90, morar junto para "ver se dar certo", para depois oficializar a relação.
    Uma das coisas das quais me orgulho nessa fase, é que aprendi depois de experiências, algumas desastrosas, o meio termo. Evito roupas que me deixem parecida com as adolescentes da malhação, mas também fujo, do lugar-comum das roupas austeras de senhora;aprendi que dá para conjugar minha vaidade às necessidades sociais, profissionais ou casuais que tenho. Percebi conversando com outras mulheres dessa faixa etária, que já não as incomoda ser donas de casa ou não; mães solteiras, diretoras ou empregadas, se transam por transar. O que aos vinte era muito urgente, aos 25 urgente, aos 30 parece que o equilíbrio impera e nos tornamos mais calmas, mais serenas, mais donas de nós mesmas, e nossa auto estima que antes ocilava tanto,  está onde deve estar.
     Eu já deveria ter começado esse diário, meu sexto sentido me diz, que estou começando na hora certa.
Se vão concordar comigo, se vão gostar? Sinceramente, talvez aos 20 ou 25 anos isso me incomodasse, agora não, afinal, sou balzaquiana. 





sexta-feira, 4 de março de 2011

Quero um dia


Quero um dia deixar de amar
Por alguns segundos esquecer
Se não conseguir,  me armar
E entao me descobrir sem poder

Quero um dia deixar de querer
Sem frases decorar
Saber fingir
Um papel decorar
Sair do chão
Não ter medo de fugir

Quero um dia não tentar
Não mentir
Dissimular
Muito triste deixar de sonhar
Por outras mãos me deixar levar

Quero sair por ai
Sem destino caminhar
Outras luas ver nascer
Me deixar iluminar
Quem sabe assim
Não ter mais o que querer
A não ser...
Viver


quinta-feira, 3 de março de 2011

Mundo vazio

Mundo sozinho
Mundo vazio
Mundo sem nada
Quando não quero 
Quando aceito
Quando nao sei o que fazer
o mundo fiz assim
sem nada
Tento gritar
Tento gemer
Ate tento sair
Só existem paredes anacrômicas
Tento pintar um quadro
Um cenário só meu
Um cenário adverso ao meu
Sem paletas
Sem cores
So o mundo e eu
Um mundo vazio
AS vezes perco a fé
Tento entender porque ainda estou aqui
Tento não voltar
Mas o vazio me prende ao mundo
Faço parte dele
Tento me perder
tento me reinventar
Procuro cor
Fecho os olhos pra sonhar
O mundo vazio ainda esta aqui



Você quer ir?
Sáia agora.
Os minutos não esperam sua indecisão.
Não houve flores ou espinhos,
Quente ou frio;
Foi o morno que acabou.
É bom decidir logo:
Vá!
Que venha a distância,
Ela já existe entre os corpos.
Independe saber quem vai sofrer ou não.
Tudo passa.
Isso tudo ia passar;
Sem ais.
Sem despedida clichê.
Vá!
A porta já estava aberta quando o dia amanheceu...

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

poucas palavras



Ânsia ilusória pelo porto seguro 
já que sou uma nau à deriva do tempo,
à mercê dos ventos

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Trem do destino



Sentada à beira do Caminho
As lembranças se encarrilham no trilhos do tempo
Vêm nas janelas onde  o vento bate forte
Somem como a fumaça no horizonte
E eu queria voltar no tempo...
O futuro latente surge a cada novo dia
Como em páginas brancas a serem escritas
O assobio do trem
Do trem do destino
Desperta-me da latência conveniente
Esboço qualquer desenho
Faltam as palavras 
Eu queria voltar no tempo...
Onde escrever era mais fácil
Sobravam histórias
Qualquer circunstância rimava
O trem vai longe
Ainda mais veloz
Nem chego a alcança-lo
Vou cruzando as linhas
Tentando encontrar um ponto comum
O destino traiçoeiro mudou sua rota
Estava presa ao pretérito das lembranças 
Não o vi passar
Corro para a estação mais próxima
Esperançosa que ele faça parada
Que ao menos me espere
Protagonista da história
Me lembro que sou eu quem a escreve
Tenho em minhas mãos páginas em branco
Desenho uma estação, descrevo a parada
Entro no trem e comprimento o destino
As lembranças vão-se como a fumaça
Ficando para tras
Vou reiventando personagens
Novos pretextos e enredos
Vou me reconstruindo