domingo, 11 de janeiro de 2015

quando fico em silêncio

Quando fico em silêncio
Ouço vozes, as vezes gritos
E não sei de onde vem
Então tudo me apavora
Até o vento lá fora
Parece gritar também
Quando fico em silêncio
O vazio que tenho
Faz a dor ecoar
O corte que ainda sangra
O sangue que a alma mancha
A lembrança que não quer calar
Quando eu fico em silêncio
No quarto escuro me escondo
Mas a luz do passado vem sussurrar
Lembro o barulho que faz o sonho
Mesmo quando me oponho
A realidade vem me acordar
Quando fico em silêncio
Ouço meu coração bater
Como valsa triste um bolero
Cujo refrão queria esquecer
E sem forças me entrego
A essa mania que tenho
De calar e sofrer



segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Entre dois mundo oscilo
Um ser em colapso
Vou refazendo o caminho
Contado passos largos
Se o emaranhado de espinhos
Rasga a carne, sangra a alma
Deixa rastros no chão
E já não há mais segredos
So pistas deixadas ao vagar
Não queria ser descoberta
Escondida entre as intenções
Mantinha guardados tesouros
Seu valor não era quantificável
Mas fora descoberta
Quis se esconder
Mas o seu esconderijo
Em um dos dois mundos estava revelado
Achou melhor apenas ficar e ver a vida passando
Era menos perigoso assim

sábado, 26 de julho de 2014

Vou começando e recomeçando
Vou partindo
Chorando
Coração em pedaços
Indo e voltando
Começando de novo
Sem medo do desconhecido
Vou me refazendo
Dos ragos no vestido
Dos cortes feitos na carne
Do sorriso perdido na face
Remendando as historias
Ainda que seja tarde
Começando de novo
Recomeçando a partida
E a cada volta
O medo da despedida
Mas sigo caminhando
Os passos contando em vão
Porque recomeçar
E cantar de novo a canção
Cair e levantar
Sorrindo e chorando
E começar de novo
É recomeçar levantando
Dos tropeços da vida 
Entre indas e vindas
Partindo e voltando
Começar de novo
Recomeçando

sexta-feira, 25 de julho de 2014

A fera que eu habito
Tem olhos em brasa quente
Faz do sussurro seu grito
Ataca como serpente
A fera da qual me visto
Tem pele e alma ardente
Faz do perigo seu vício
Envolve com sua mente
A fera na qual transformo
Tem o dom do simular
As vezes se faz presa
Desarma pra atacar
A fera que as vezes prendo
Tem medo mas não confessa
Esconde os seus segredos
Disfarça se em sua floresta
A fera que eu domino
Nem sempre esta presa à cela
Pois presa pode ser lebre 
Mas nunca deixará de ser fera 



(...) o dia em que achei que meu olhar de lebre escondesse a alma felina (...)

sábado, 5 de julho de 2014

Retalhos

Me vira pelo avesso
Porque de dentro pra fora
É tudo mais complexo
Revira e vira e quem sabe
Entre um ponto desfeito
Se encontre um laço
Costura e corte tudo de novo
No cezir do rasgo novo se faz
Mas se remenda o que foi em pedaços
Colcha de retalhos de presente da.
Sacode, bate e dobra
O fino pano da caimento
Mas não cobre frio o manto
E preciso mudar tudo
Mas sem tempo
Melhor o trapo, que em frangalhos
Cerzido foi a contento
Mas se as lembranças são bordadas a linha
O dedal de ouro poe rosas no beiral
E o frio que era tanto
O pano que era pouco
Bastava costurar de novo
Ao menos pra cobrir o tempo

domingo, 29 de junho de 2014

Busca de você

Tenho tanto a dizer, saber, entender
Explicações do porquê
Querer tanto voce
Mesmo querendo evitar
Ainda tento lembrar, não pensar, não contar
Mil motivos pra esquecer
Dos milhões que me levam a você 
Que aqui comigo não está
Que dure uma hora, um dia, um mês
Quero em seus braços ficar
AInda que eu siga em frente
Tente, retente e não contente
Volte pra te buscar 
Ainda quero  mostrar, gritar, bradar
Nos versos que dito
Na poesia que escrevo
Seu nome marcado, cravado,sacramentado
Fincado dentro de mim
E quem sabe essa noite
Você me escute, entenda e se renda
Resolvendo ficar, se permitindo amar,
Encontrando em meus braços
Razão pra ser feliz


Coração descompassado


Perco a respiraçãoNo silêncio ouço as batidas do meu coraçãoDescompassadoDisritimadoComo se não coubesse mais em mimFicou tudo tão grandeEstá faltando os pedaçosE o coração aceleradoDa prisão tentando sairEntão me entrego e saioQuem sabe contando meus passosMeus pensamentos voltem a fluirO ar invadindo os espaçosDe onde me faltam pedaçosPreenchendo as lacunasQue fazem buracos em mimE o andar se faz mais rápidoA urgência é quem quer decidirE brigando com o compassoBate descontroladoO coração querendo sairDe repente páro caladaE um som me chama atençãoSão batidas ritmadasDa minha alma aprisionadaDentro do coraçãoSuspira lento e poéticoDesistindo de fugirSe acostuma ao seu algozOra manso outra ferozQue tanto o fez sucumbirE de viver aprisionadoO coração descompassadoResolve ficar aliEsperando que um sorrisoAo menos lhe traga alívioE o faça querer ficarBatendo no compassoComo um coração ritmadoAcostumado a amar