segunda-feira, 14 de junho de 2021

Traída pelo olhar

 Seus olhos a traíram. 

Em que momento? 

Foi quando sorriu ao ve lo tão perto?

foi quando tocou sua mão? 

Ele percebeu. 

Sim. 

Ela não conseguiu disfarçar. 

Era desejo. 

Era vontade.

 Era lascívia. 

Baixou os olhos. 

Esquivou se. 

Tentou sublimar. 

Não se conteve. 

Subestimou a capacidade de observação dele e se rendeu ao sorriso. 

Foi traída. 

Simplesmente. 

Ele riu por invadir a intimidade dela. 

Ela quis fugir.

A curiosidade instiga a imaginação. 

Alimenta a. 

Domina. 

Fortalece. 

OBS: qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência

terça-feira, 8 de junho de 2021

indiferença dos mortais

Como pode

Esse amor me corroer

Não posso amar 

Tão pouco consigo odiar

Odiar seria mais fácil

Alimentado por sentimentos que não permeiam na esperança

Nem tampouco consigo me afastar

E como eu queria. 

Ficar longe do sorriso que me alegra 

Ou do abraço que me aquece. 

As migalhas de afeto me sustentam 

Como forasteira no deserto sedenta de água pura

Ou a mais famigerada das almas a catar restos de alimentos deixados ao solo 

 Há uma tristeza infinita em implorar atenção. 

Uma comiseração sem precedentes ou dignidade

O amor tortura me vil e covardemente.

E rogo a paz dos que nada sentem ou esperam

Não tenho a esperança frustada dos amantes

Nem os sonhos me são dados como cortesia

 Apenas vivo os dias amando sem ser amada. 

Na espera que talvez  Deus se compadeça

 E me retire o ultimo fio de sentimento por piedade

Deixando me relegada a fria indiferença dos mortais

domingo, 6 de junho de 2021

Duelo

Escolha suas armas
Duele comigo
Que vença o mais forte
Assim quem sabe
Em meio a luta
Suas espadas machuquem menos
Que sua indiferença
Use toda sua força
E nesse destino vão de ganhar
Arranque com a lâmina 
Esse coração exsanguinante
Dilacerado a dor de te amar solitário
Há tempos ele se esvai sem esperanças
Use golpes mortais e tenha misericórdia
E num tiro certeiro apague a última luz
Aquela que deixei acesa esperando você chegar. Irei usar a arma que me restou
A súplica 
Pois já não tenho nem as palavras 
Que um dia guardei para te render poemas de amor


quinta-feira, 20 de maio de 2021

guerreiros

 Dois guerreiros armados

Pelo amor machucados

Procurando tratar

em vão suas feridas

Dois guerreiros armados

pelo tempo marcados

pelo azar destinados

a querer trilhar o mesmo caminho

Dois guerreiros armados

pelo compromisso separados

duelando de mentira

pelo desejo abraçados

tentando em vão 

dissimular sua covardia

Dois guerreiros armados

duas histórias contadas

Pelo pecado algemados

a viver separados

de mãos atadas

Dois guerreiros armados

cada um com suas armas

De fogo e de faca

cada qual mais mortal

quem sabe seria 

muita ousadia

viver um pouco a mentira 

de ser tudo real

Dois guerreiros armados

pelo azar destinados

seus caminhos distantes

trilhar separados

esperando que um dia

um toque de brisa

venha por piedade

curar suas feridas

domingo, 18 de abril de 2021

Não consigo dizer adeus

 Naquele dia,  eu poderia ter dito adeus

Era necessário. Vital.

Não consegui.

Eu teria dito sobre mil coisas que sinto

Sem escolher as palavras

Sem definí las.

Talvez tivesse me visto chorar por você.

Eu chorei muito, você não viu.

Se eu soubesse , se conseguisse 

Seria a última vez

Sairia com o coração partido.

Ele está estraçalhado em partes desiguais

Me feri tentando salvar você.

De tudo mas principalmente de mim

Não quero sentir 

Queria outro toque

Não quero começar

A chama arde, incendeia, queima

Machuca

Não quero outro beijo

Não posso querer o seu

Mas são os seus lábios que os meus pedem em segredo

Não posso acalmar meu coração

Não posso me apaixonar de novo

Vou embora querendo ficar

Preciso partir 

Tenho pressa em voltar

E na estrada o sol me torturou 

Sua sombra desenhada

Me impediam de continuar

E estou naquela estrada onde você me levou

Onde quis romper o medo

Onde imperou o desejo

Meu silêncio foi a maior defesa

Nunca pensei que iria me encontrar

Sonhando presa aos seus braços

Fingindo que não ser verdade

Me transformando no que você odeia

Falando coisas que não gosta

E não consegui me afastar

Tudo girando, 

Meu peito arfando

Minha dor gritando

Te implorei no olhar

Que você não percebeu

Agora é tarde

Preciso partir

Sentir saudade da estrada

Minha cúmplice fiel

Eu tão sua

você tão meu

nos meus sonhos

no meu secreto

Não consigo dizer Adeus

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

Cristina

 Cristina quando irá parar

Onde irá parar

Quando será o "chega"

E o acabou?

Cristina é hora de dormir

Você esta cansada demais

Precisa entender quando dizer 

BASTA

Serenar esse turbilhão de pensamentos

Acredite você fez o bastante

O bastante nunca será o bastante para você

O tempo precisa passar

Cristina onde você irá parar?

Domine esse ímpeto de correr

A pressa já não tem tanta pressa assim

Você corre de quê?

Do que pretende se esconder?

Cristina acalme essa dor

ela irá passar

Como você passa pelos dias

Passará sem ficar

E não ficará sem passar

E você Cristina, 

Onde você quer chegar?

A janela da alma te mostra paisagens

Cinzas você diria

Coloridas cantaria o vento

E você Cristina

perdida em medos

presa em pensamentos



Retrato em preto e branco

 Hoje vi sua foto em preto e branco. Demorei um pouco mais do que devia.

Me perdi refletindo sobre o que me prende a você. O que me faz ter essa urgência de tê lo por perto. 

As respostas vieram em como seus olhos ficam pequenos quando sorri.

Ou aquele seu jeito engraçado quando fica nervoso, franze o semblante e morde o lábio inferior. 

Também naquela mania irritante em me provocar me fazendo ficar nervosa.

Na rotina do ir e vir em passos apressados e nas maos que nunca sabe onde colocar quando está assim. 

Em como fica sem jeito se alguém invade seus limites sem que perceba.

No tom de voz quando quer agradar

E no calor do abraço que sinto e me tira o chão.

A verdade é que não sei como lidar com esses sentimentos que preenche me os espaços vazios, mas corroem minha segurança e amor próprio.