terça-feira, 15 de junho de 2021

Horror

 Olhe nos meus olhos

Horrenda

Medonha

Amedrontadora

Veja a face do feio

Enxergue com medo

o que te assusta

Fantasmagórica 

Quis parecer real

Tentou ser bonita

um pouco corajosa até

Mas em seu pedestal de perfeição

do desejar o impossível

o bonito

o visualmente belo

Expurgou do seu caminho

O que a repulsa provocou

Não teve medo

Ânsia de vômito

Nauseado pelo horror que sentiu

Que pretensão a dela

tentar cativar o acostumado ao lindo

O perfeitamente perfeito

A beleza que não viu nela

mas a pena foi seu pior martirio

carregou consigo aquela dor

Afinal quem amaria o feio

Ainda que o horror estivesse cheio de amor?

segunda-feira, 14 de junho de 2021

Laços atados

 Estou me desligando desse laço

Do abraço

Desse nó desatado

Dessa ternura 

Serena

Da fé tão pequena

Que não me permite acreditar 

Que me permite te amar 

Sem o  laço afrouxar

Marinheira solitária

Por castigo isolada

Cujo o crime cruel

Foi amar sem limites

Limitada pelo perigo 

De desejar o proibido 

E viver escondida

Assoprando a ferida 

Feita de sal e fel 

Quero arrancar esses laços 

Apertados demais 

Que me prendem a você  

Cortar fora os pedaços 

Que sobraram dos abraços

Impedidos de abraçar

E quem sabe na loucura 

De cortar pulsos e vínculos

Eu afrouxe o medo

Te revele o segredo 

Que é amar sem medida

E livre das amarras 

Desse nó que aperta

Despedir me em prantos 

Rogando um acalanto   

Esses laços de amor que impera
































































Aos meus quarenta

Impressiona me ver no espelho a mulher de 40 anos. Bem, não são exatamente quarenta; 39 anos 11 meses e 28dias.
Cabelos brancos, inúmeros, milhares que me forçam vez ou outra me aventurar pintando sozinha e gastando mais no salão por não conseguir. 
Rugas aqui ou ali, e quilos, quilos e mais quilos de alojando nos lugares mais destacados de mim. Poxa, não dava para serem mais discretos como nas costas, bunda, coxas?
Não, acabam com a minha vaidade conferindo ao meu abdome seu hábitat natural preferido. E dor

Ahhhh.... As dores

Creiam, até pensar dói. É dor nas articulações, músculos, nos lugares mais inimaginaveis. E por falar em dor, todos os meus amigos sentem dor,e vira um assunto na roda de um barzinho, porque balada??? Ahhhh difícil aguentar sem sentir dor nos pés.

E quantas dores por coração partido, pelo vestido que já não me serve, ou pela insistente e irritante crise existencial.
Cansei. Mas quem disse que me é dado esse direito.
Cansaço e frustração são um mínimo múltiplo comum entre meus amigo. 

Amores perdidos, esquecidos, não vividos. Amigos que ganhei magoei, virou parente. E as relações vem e vão com o trem do destino que passa na estação da vida.

Houveram coisas que não vivi. Que desejei e não pude ter. Que tive e não dei valor. Que ganhei e perdi. 
Comecei dietas na segunda e encerrei na quarta. Disse não beberia após uma ressaca, comprei um vestido que não servia na intenção de perder peso, sapatos que usei e outros que nem gostava tanto assim

Viajei sofri. Ri. Ri muito da vida. Ela riu de mim.
Gargalhou

Entendi que Deus tem planos diferentes do meu. Ressignada vou levando grata a ele por tanta saúde. 

Que venham os próximos 40 e novas chances para recomecar



Traída pelo olhar

 Seus olhos a traíram. 

Em que momento? 

Foi quando sorriu ao ve lo tão perto?

foi quando tocou sua mão? 

Ele percebeu. 

Sim. 

Ela não conseguiu disfarçar. 

Era desejo. 

Era vontade.

 Era lascívia. 

Baixou os olhos. 

Esquivou se. 

Tentou sublimar. 

Não se conteve. 

Subestimou a capacidade de observação dele e se rendeu ao sorriso. 

Foi traída. 

Simplesmente. 

Ele riu por invadir a intimidade dela. 

Ela quis fugir.

A curiosidade instiga a imaginação. 

Alimenta a. 

Domina. 

Fortalece. 

OBS: qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência

terça-feira, 8 de junho de 2021

indiferença dos mortais

Como pode

Esse amor me corroer

Não posso amar 

Tão pouco consigo odiar

Odiar seria mais fácil

Alimentado por sentimentos que não permeiam na esperança

Nem tampouco consigo me afastar

E como eu queria. 

Ficar longe do sorriso que me alegra 

Ou do abraço que me aquece. 

As migalhas de afeto me sustentam 

Como forasteira no deserto sedenta de água pura

Ou a mais famigerada das almas a catar restos de alimentos deixados ao solo 

 Há uma tristeza infinita em implorar atenção. 

Uma comiseração sem precedentes ou dignidade

O amor tortura me vil e covardemente.

E rogo a paz dos que nada sentem ou esperam

Não tenho a esperança frustada dos amantes

Nem os sonhos me são dados como cortesia

 Apenas vivo os dias amando sem ser amada. 

Na espera que talvez  Deus se compadeça

 E me retire o ultimo fio de sentimento por piedade

Deixando me relegada a fria indiferença dos mortais

domingo, 6 de junho de 2021

Duelo

Escolha suas armas
Duele comigo
Que vença o mais forte
Assim quem sabe
Em meio a luta
Suas espadas machuquem menos
Que sua indiferença
Use toda sua força
E nesse destino vão de ganhar
Arranque com a lâmina 
Esse coração exsanguinante
Dilacerado a dor de te amar solitário
Há tempos ele se esvai sem esperanças
Use golpes mortais e tenha misericórdia
E num tiro certeiro apague a última luz
Aquela que deixei acesa esperando você chegar. Irei usar a arma que me restou
A súplica 
Pois já não tenho nem as palavras 
Que um dia guardei para te render poemas de amor


quinta-feira, 20 de maio de 2021

guerreiros

 Dois guerreiros armados

Pelo amor machucados

Procurando tratar

em vão suas feridas

Dois guerreiros armados

pelo tempo marcados

pelo azar destinados

a querer trilhar o mesmo caminho

Dois guerreiros armados

pelo compromisso separados

duelando de mentira

pelo desejo abraçados

tentando em vão 

dissimular sua covardia

Dois guerreiros armados

duas histórias contadas

Pelo pecado algemados

a viver separados

de mãos atadas

Dois guerreiros armados

cada um com suas armas

De fogo e de faca

cada qual mais mortal

quem sabe seria 

muita ousadia

viver um pouco a mentira 

de ser tudo real

Dois guerreiros armados

pelo azar destinados

seus caminhos distantes

trilhar separados

esperando que um dia

um toque de brisa

venha por piedade

curar suas feridas