terça-feira, 27 de abril de 2010
Me dê você
Deixe que ela segure a minha
Preciso sentir que algo me retem
Uma segurança que não tenho
Me dê seu abraço
Sinto frio
Me sinto só
Me enlace como cobertor de criança
Esta tão dificil
Me dê o seu beijo
Cole aos meus lábios a lascívia dos seus
O desejo urgente do amor revelado
Me dê seu aconchego
Embale-me num sonho tranquilo
Preciso dormi acompanhada
Me dê seu sorriso
Sincero,
Falta-me sinceridade
Me dê companhia
Me dê afeto
Me dê atenção
Doe-me um pouco de vc
nem que seja ilusioramente
Mas hoje preciso de você
sábado, 10 de abril de 2010
Era uma menina
Era uma menina
de olhos atentos
de olhos atentos
Era uma menina
Era uma menina
sem sapatos baixos
sem sapatilhas
sem rosa chá
sem verde oliva
Era uma menina
Amarelo limão
Verde limão
Rosa chok
Pink
Roxo
Era uma menina de muitas cores
era uma menina
Era uma menina
De mini saia
De decotão
De paetês e purpurina
Era uma menina
Era uma menina
Em cima da árvore
Em cima da ponte
Em cima do trio elétrico
Em cima do palco
nas encenações da vida
Era uma menina
Era Nelson Rodrigues
Era Maria Anas
Judiths
Teresas
Juliana
Era menina
Pensava como menina
Agia como menina
Olhava como menina
E quando quis ser grande
Era menina
quarta-feira, 31 de março de 2010
vendedora de rosas
Era um moço bonito, altivo, com toda sorte de graça.
Era uma casa modesta, de barro e palha.
Era uma sala suntuosa, de concreto, de concreto.
Era um pé descalço e roupas rotas
Era um sapato italiano e terno de alfaiate.
Era a fome
Era a gula
Era a bondade
Era a mediocridade
Eram diferentes
Ate o encontro
Se viram na praça
Era fim de tarde
Ela ofereceu uma rosa
Ele ofereceu um nao
Ela era doçura
Ele amargor
Ela cativou-lhe
Ele endureceu
Mas voltou todos os dias
E de tantos nãos
Um dia ganhou uma rosa
Um dia ganhou amor
No outro dia quis oferecer um sim
Ela nao veio
Ela nao veio
Ela nao veio
Sentiu saudades da rosa
Saudades do amor
Trazido pelo vento o jornal
No jornal sua sina
A vendedora de rosas tinha morrido de frio
A tempestade da noite anterior tinha sido rigida demais
Ele ofereceu o choro
E sentiu saudades da rosa
Era uma moça baixinha, gordinha, coitada. Sem viço, sem graça nenhuma.
Era um moço bonito, altivo, com toda sorte de graça.
segunda-feira, 29 de março de 2010
meias vermelhas
de babados e paetês
Um par apenas
de vemelhas meias
Aqueceia-me as meias
se nao fossem tao vermelhas
tão fora de moda
La fora o inverno é rigoroso
E eu so tenho essas meias
tão vermelhas
Aquecia-me as meias
se nao fossem vermelhas
Do que me serve a cor
So preciso de meias
quinta-feira, 25 de março de 2010
A cura
Se os sentimentos pudesses curar
Fossem bálsamos para feridas abertas
Não existiriam mais talvez
Não existiria a dor
Não existiria o perdão
Se dar carinho bastasse
Se receber amor fosse o suficiente
Se a paixao fosse na medida certa
Eu ja me apaixonei
Ja amei
Ja ardi em brasas de tesão
Ja entrei na contramao da desilusao
Mas os sentimentos foram passando por mim
Na direção oposta do vento
Eu podia ate sentir sua fragancia deixada displiscentemente
Mas nunca era um final feliz
A mocinha era sempre bandida
E o choro não comovia o príncipe em seu cavalo
de tróia
O caminho era tracetado por passos errantes
Pegadas à esmo quase propositalmente
E quem estivesse de fora
Quase acreditaria
Que era por querer aquele seu desprezo pelos sentimentos
Mas acreditam os ilusórios pensamentosQue os sentimentos têm o poder de curar
Bálsamos de fino material
Se pudessem ate curariam
Ou talvez pudessem aliviar a dor insuportavel da desesperança
Mas no final é sempre aquela tarja preta
Indicando que tudo terminou
E não há remedio
Não ha cura
Não ha mais nada
Oferta imperdível
PROMOÇÃO IMPERDÍVEL. Queima de estoque de mostruários!
Vende-se a módico preço, um coração usado em excelente estado de conservação.
Única dona.
Vendo por motivo de óbito da esperança um coração que para mim não tem mais serventia.
Muitas vezes ele se mostrou voluntarioso, exibindo vida própria como se nao habitasse em mim.
Entregou-se a vícios amorosos, a desilusões contínuas e a uma falta de fé imperdoável.
Apesar das minhas recomendações, ele não me ouvia, e por causa dos seus desmandes e arroubos sentimentais, que mais sofria era eu.
Não pensem que quero me livrar dele como quem joga fora restos, eu tentei.
Lutei. Implorei. Roguei clemência.
Nada.
Não quis ouvir, não quis saber, dissimulou com sua fingida deferencia.
Outros diriam que esse coração não tem serventia ou que ja esta gasto.
Engano. Esta em perfeita condição física, ja que as consequencias de suas peripecias foram sofridas so por mim.
Em outra pesssoa talvez ele se comporte melhor, haja com mais sensibilidade. Tenha mais consideração.
Dou de troco na venda, ilusoes, sonhos, esperanças desvanecidas.
Espero sinceramente uma resposta imediata ao meu anúncio pois ja nao posso conviver com ele.
quarta-feira, 24 de março de 2010
era pra vc
Era pra você
Só pra você
O que eu nao tive
O que eu queria
O que eu nem pensava ter
ou conhecer...
Nao sabia o que era
Não sabia se era pra ser
Sabia o gosto
Mas nao conhecia
Sabia a cor
Mas nao sabia
Sabia que queria
E era pra vc
Dar-te o melhor
A melhor parte da partilha
ainda nao existente
quando vc ia perceber
Quando seria
Era pra vc o que eu sinto sem conhecer
Era pra vc aquela sensação
Que me invade e me arromba portas e janelas
Era so pra vc
Algo que nao sabia
Que nao conhecia
De cores e paladar indescifravel
Era teu
Pra vc
E vc nao se dava conta disso
Era pra você
Só pra você
O que eu nao tive
O que eu queria
O que eu nem pensava ter
ou conhecer...