sábado, 23 de julho de 2022

Tarja preta

 Vou tomar alprazolam 

Com água bem gelada 

Pra dormir até amanhã 

E não lembrar de nada 


Vou tomar fluoxetina 

Junto com o café 

Pra ficar bem calminha 

E aguentar tudo de pé 


Mas se a tarde eu surtar 

E ficar um pouco agitada  

Sertralina vou tomar 

E tentar ficar comportada 


E se a noite vem 

E eu não estou legal 

Vou tomar um donarem 

E também meio frontal 


Chegando o fim de semana 

E estou bem mais calminha 

Não vou mais fazer drama 

E tomar só uma quetiapina. 


Mas o mundo que é tão louco 

Insensato e vil 

Se nervosa eu ficar só um pouco, 

Não tem segredo: tomo 2 Rivotril 









quarta-feira, 20 de julho de 2022

Estas em mim


Os dias passam lentamente

Mas sinto que estou mais velha

depois que o vi, depois da última vez

Mentiras e desculpas me deixaram mais fria

Menos dócil do que já fui

Minhas crenças me impedem de vê-lo como ja vi

Até porque percebi que já não existem

E tudo o que nos separa

Idade

Vontade

pensamento

Sentimento

Distância

Desaparecem quando sonho com você

Só quando sonho

Por aí sem você

Você sem mim

Escolhas suas

Covardia minha

Meu pensamento está em você

Estou em você

Mas você já não está em mim

E ainda assim sonho

Por aí, onde estou só

Mas você reaparece no meio da noite

Quando sonho com você

Só quando sonho 

A distância parece aumentar

Já não nos falamos mais

Não há mensagens soltas

Um olá meio sem jeito

Falta tempo?

E tudo o que nos separa

Idade

Vontade

pensamento

Sentimento

Distância

Desaparecem quando sonho com você

Só quando sonho

segunda-feira, 18 de julho de 2022

Meus segredos moram em você

Morava nos seus olhos meu segredos

não revelados

guardados

escondidos de você

nem tão escondidos assim

Não posso mudar o que sou

Não posso evitar o que sinto

Porque mudaria?

Meus segredos estão bem protegidos

Estão em você

São você

Mas você não vê

Ou não quer ver?

Essa dúvida me aprisiona

As chaves estão em suas mãos

E a minha liberdade em você

O grilhoes que me oprimem 

Misto de sentimentos reprimidos

Pela covardia que eu mesma projetei

E você não exigiu nada

E assim mesmo guarda

Em você os meus segredos

Meu alvará de soltura

Será a coragem

Aquela que não tenho

Enquanto isso

fico prisioneira de cela aberta

porque você guarda meus segredos

E bastaria que eu os contasse a você

domingo, 17 de julho de 2022

Janela

Atrás da janela de vidro

A noite parece mais negra

As luzes vão se espaçando como gotas de orvalho

Vão clareando as idéias aqui e acolá

O asfalto sem fim vai distraindo o pensamento

Eu ali, protegida pela transparência do vidro

Frágil como ele

sábado, 16 de julho de 2022

Na verdade

 O que você procurava com o olhar quando o seu encontrou o meu?

Na verdade você me conhece tão bem e minhas verdades 

Mas preferiu encontra Las no que eu não disse com palavras. 

Ao buscar no olhar não sentiu as mãos geladas e o corpo quente 

De quem tão deseja e não pode tocar 

A verdade é que de verdade eu não conseguiria dissimular a paixão tão evidente em mim 

Você buscou a verdade que conhece tão bem e teme 

Poderia tê lá encontrada na coragem de um único beijo 

É que na verdade o quase sempre foi nossa pior escolha e nossa cruel verdade 




A difícil escolha entre ser o que sente e acredita e fingir que não acredita no que sente e dissimular. Uma traz a liberdade e um preço caro a ser pago pelo não entendimento dos hipócritas, a outra cobra a insatisfação diária pela prisão da convencionalidade

sexta-feira, 15 de julho de 2022

Por um olhar

 Prisioneira do olhar  ela ate quis se defender. 

        Atrás da sua máscara usual, desempenhou um dos seus papéis prediletos; era comum vestir-se de personagens, sua armadura infalível, pensava ela.           Com uma postura imperiosa, ar displicente, conseguia passar incólume aos olhares de todos.  Custara, mas aprendeu. 

       Foi costurando à sua, faces diferentes, cada uma com características próprias, tão diferentes da sua. Era tão boa nisso que já não sabia quem era de verdade: as faces que vestia ou as que estavam escondidas por baixo delas.  Suas dores causa do choro compulsivo e dos olhos vermelhos, foram maquiadas de um humor sarcástico, ácido. Seus sonhos foram dissimulados em metas e objetivos frios e calculáveis. 

       Aos poucos foi se acostumando. Não se via mais desnuda. Evitava os espelhos. Só ela sabia o que seu reflexo significava, as histórias dolorosas que ele trazia.  Tão convencida estava do seu talento teatral que subestimou aquele olhar. Bastou apenas um, e sua nudez veio à tona, ruborizando- a e constrangendo-a por se ver exposta contra à sua vontade.

       Tanto tempo escondida e sua defesa caiu revelando a mulher que ela tinha medo de ser.  O dono do olhar não tinha pretensões escusas e se havia segundas ou terceiras, até aquele momento ao menos, não estavam reveladas. 

      Então por que despí- la assim? Deixar evidente suas fraquezas sem que ela ao menos soubesse porquê? Essa seria uma pergunta que ela não saberia responder. Mas aquele olhar, prendeu em si seu reflexo nú e com ele todos os seus segredos e sua verdadeira identidade, sua história e seu coração.